domingo, 6 de dezembro de 2009



apois

pro cantadô de sertanejo

só há quatro coisa nesse mundo enfim

amô, furria, viola, muito dinhêro

viola, furria, amô, dinhêro sim

(Elomar)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

o milagre da multiplicação

já são seis as mulheres que alegam ter tido filhos com o Bispo/Presidente Fernando Lugo, do Paraguai. um dos garotos foi reconhecido pelo Presidente como seu filho legítimo. foi formado, inclusive, um grupo de trabalho, com representantes das secretarias da Mulher e da Infância da Presidência paraguaia, para "administrar" todos os casos de paternidade imputados ao presidente.

uma coisa não se pode dizer de Lugo: que ele tenha descumprido ostensivamente as orientações da Igreja. a proibição do uso da camisinha, como se vê, foi religiosamente observada.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

viva Brasília!

a festa foi "monumental", de acordo com a imprensa oficial e, aparentemente, a ressaca também: seguindo-se à grandiosa festividade popular pelo aniversário de 49 anos de Brasília, realizado neste 21 de abril, o alvorecer do Dia do Descobrimento foi marcado pelo volume descomunal de lixo esparramado pela Esplanada dos Ministérios, patrimônio cultural da humanidade. nesta manhã, os ministérios se erguiam altivos em meio a um aterro sanitário, onde o cheiro que emanava das pilhas de lixo se confundia com o futum de urina que impregnou as calçadas do local. o tráfego de helicópteros na região central da cidade foi também "monumental", necessário ao antendimento das diversas ocorrências registradas pela PM: ao todo, em confusões durante a festa, 22 pessoas foram esfaqueadas. uma morreu.

neste ano, foram realizadas apresentações de Jota Quest, Xuxa, Jorge e Matheus e Cláudia Leitte. o governo do DF já comemorou o sucesso do evento e cogita trazer uma atração internacional, como o U2, para a festa do próximo ano. tomara que traga também mais respeito ao patrimônio público e cultural da humanidade, com uma melhor organização e serviço de limpeza, e mais respeito à população, com um melhor aparelhamento de segurança. que venham os 50.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

não deu no niuiorquetáimes: Sarkozy, presidente francês, em prestação de contas ao parlamento francês sobre a recente reunião do G20, achou de bom tom tratar mais de suas impressões a respeito dos colegas. não deixou de mencionar que Obama é um cara muito inteligente, muito carismático e muito ingênuo; que Merkel se viu forçada a dar o braço a torcer e referendar a sua posição quanto à crise econômica mundial; que Zapatero se inspirou nele para suprimir a publicidade nas tevês públicas espanholas; e que Berlusconi, esse sim, é o cara, um exemplo a se seguir na política. afinal, "o importante na democracia é ser reeleito". e o presidente francês referendou, mui respeitosamente, o fato de Berlusconi ter sido reeleito três vezes.

desconsiderando a comovente modéstia do líder francês, infere-se do seu raciocínio que Hugo Chávez e Evo Morales estão pavimentando e duplicando a estrada para a democracia.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Sábio disse:

"Também estava lá, e fora de seu horário, o censor oficial, Jerônimo Ortega, que chamávamos de Abominável Homem das Nove porque chegava pontual a essa hora da noite com seu lápis sangrento de sátrapa godo. Ficava por lá até assegurar-se de que não houvesse letra impune na edição da manhã. Tinha uma aversão pessoal contra mim, por minhas veleidades de gramático, ou porque utilizava palavras italianas sem aspas e sem grifar quando me pareciam mais expressivas que em castelhano, como deveria ser de uso legítimo entre línguas siamesas."

Memória de Minhas Putas Tristes, G. G. Márquez

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

em tempo

economistas se desesperam: perderam a mão invisível e agora vai ser foda de achar, muleque.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008


enquanto os rounders do mercado financeiro rebolam na lama que regaram com tanto amor com seus lances de alto risco, as últimas cartas caindo da manga diante de um royal flush fulminante da crise internacional, o Brasil insiste em sorrir e se vê navegando em mares tranqüilos, embora a canoa faça água aqui ou acolá; definitivamente saímos do caminho da servidão e temos tempo suficiente para ponderar as revolucionárias propostas de uma brilhante reforma ortográfica, que incluirá no alfabeto letras que nunca deixamos de usar e extirpará de uma vez por todas o trema, que ninguém usa há muitos séculos. adoptarão (sic) nossos irmãos lusitanos tão polêmica reforma? tudo indica que o momento não é propício a câmbios, tendo em vista a posição dos sadios e católicos parlamentares portugueses contra a aprovação do casamento homossexual. mas isso não nos diz respeito, aliás, pouco da atualidade nos diz respeito, tendo em vista que o brasileiro não quer curtir umas de crise; o presidente já decretou que este será um natal gordo onde se poderá adquirir tudo, ainda que em suaves e infindáveis prestações, e a confiança do consumidor não se abalou com quebra de bancos ou alta do dólar – como poderia, com o Flamengo tão bem na série A do Brasileirão? sem contar o macio colchão de petróleo onde todos repousamos nossas bundinhas abençoadas; não nascemos virados pra lua, e sim para o pré-sal. enfim, se a crise insiste em jogar uma bigorna sobre nossas asas e fazer pesar o sobrevôo desenvolvimentista e evolucionário da nação tupiniquim, se ela nos pára, nos péla – e nos pira – nós já temos a solução: elimina-se o acento diferencial, mata-se o circunflexo e, com um chapeuzinho a menos, levíssimos, moderníssimos, seguimos todos sorridentes rumo ao futuro, que há muito tempo nos pertence.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

chegaram: chuva, amoras e cigarras. tem pra todo mundo!

hora de voltar à vida, esporos queridos. fiat lux!

terça-feira, 22 de julho de 2008

A Modernidade em Três Palavras

- Crédito ou débito?

domingo, 13 de julho de 2008

O CAVALEIRO E O DRAGÃO

O que me impede de desenhar na parede? Essa é a pergunta que me motivou a sentar aqui e escrever nesse rasgo de camisa com gotas do meu sangue. Existe uma discrepância séria entre o que eu acho que seria bom fazer – desenhar, deixar marcas da minha tragédia – e o que me sinto impelido a fazer – não desagradar o dragão. Aí, mais uma vez, tenho que dar razão ao Merlin quando ele diz que o processo a ser trabalhado é a minha relação com meus desejos. Enquanto morava no meu castelo, distante da presença intoxicante e terrificante do monstro, me rendia irrefreadamente a realização dos meus desejos. A partir do meu seqüestro pelo covarde dragão, me tornei um homem sem desejos, sem objetivos, sem perspectivas nessa sombria caverna. A suposição de Merlin é de que a minha vinda para o cativeiro foi o remédio inconsciente para interromper a também destrutiva busca pela satisfação do desejo de satisfazer os desejos dos meus súditos. Ou seja, era refém de uma dinâmica alienante dos meus verdadeiros desejos e, para interrompê-la, vim para cá, supostamente para vencer o cruel monstro sanguinário, na realidade, buscando um lugar em que não desejo nada, me reduzo, me aniquilo. Será que é possível reverter essa dinâmica aqui, sob o olhar dominador e opressivo do malvado dragão? Será que tenho a capacidade de voltar para o meu reino sem me transfigurar num objeto de desejo alheio? Será que não sou invariavelmente a mesma coisa: um objeto do desejo alheio, tendo como única diferença o fato de ser desejado pelos súditos e não sê-lo pelo dragão? Isto me parece fazer sentido, no entanto não sugere claramente uma solução. Será que devo continuar tentando atender aos meus desejos, ou será que aquilo que chamo de desejo ainda não o é autenticamente? Porque, se sou apenas objeto do desejo alheio, desejo apenas ser desejado, o que não consiste em um verdadeiro desejo como eu o entenderia. Será que estou enganado? Será que não sou nem mesmo refém daqui? Será que na verdade tenho apenas que assumir esse desejo e continuar buscando realizá-lo? Se de fato não existe essa necessidade de agir sobre os meus desejos, possivelmente não há realmente uma discrepância na minha relação com o desenhar na caverna. Há, mais uma vez, uma tentativa de fazer algo que suponho poder melhorar minha capacidade de ser desejado pelos outros. Qualquer coisa que faça ou deseje fazer estará preso a essa dinâmica: fazer uma fogueira, tentar fugir, alimentar o dragão, lutar heroicamente contra ele. Acho que só me resta me recolher a um canto longe dos olhos do dragão e de qualquer um e dormir, desejando autenticamente não ser mais nada.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

"Space may be the final frontier but it's made in a Hollywood basement".

Stephen Hawking

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Cursos de educação de adultos:

NOVA MATEMÁTICA: A matemática tradicional foi recentemente tornada obsoleta pela sensacional descoberta de que há séculos estamos escrevendo o número cinco ao contrário. Isto conduziu a uma reavaliação da contagem como um meio de chegar de um até dez.

ASTRONOMIA FUNDAMENTAL: Estudo detalhado do universo e dos cuidados na sua limpeza. O sol, que é feito de gases, pode explodir a qualquer momento, destruindo todo o nosso sistema planetário; o que fazer nesse caso.

Extraído de coletâneas de textos curtos de Woody Allen

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Corpo fragmentado

Eu vi um homem falando da sua loucura. Falando do passado. Disse que via mulheres velhas carregando enormes machados. Procissões tenebrosas anunciando sua imolação em sacrifício. A culpa deveria ser expurgada, mas só o sangue de uma criança poderia redimi-la. Que criança? Ele não é uma criança. Sim, ele é uma criança! Olhando com atenção viu a evidência disso: um cordão umbilical que o ligava a algo, algo indistinguível, disforme. Meu Deus! Um monstro. Mas o monstro não estava fora dele. O monstro estava dentro da barriga dele. Era esse monstro o culpado. Como um gênio maligno, devorava suas entranhas e instigava-o a perpetrar o mal. Do outro lado do cordão estava... sua mãe. Mas como? Sim, ela estava a serviço daquele demônio. Ele precisava fugir, se defender. Corria como um louco. Pintava-se de preto pra se disfarçar. Não adiantava, pois a mulher do machado também se disfarçava. Escondida debaixo de um capuz preto, ela antecipava seus movimentos, sussurrava ameaças ao seu ouvido. Aterrorizado, pra preservar a si mesmo subjugou-se aos seus comandos. Pra salvar a própria pele, empunhou uma faca como ela exigia. Era pra atender às ordens da velha do machado? Não. Ele queria acabar com o mal pela raiz: rasgou repentinamente o próprio ventre pra arrancar de dentro o demônio. Esse monstro era astuto, esgueirava-se por suas vísceras, mergulhava mais fundo no seu interior. Coberto de sangue e perdendo suas forças, o homem desvaneceu. O homem, pra poder falar da sua loucura no passado, aprendeu a olhar pra dentro de si fechando os olhos, extirpar o mal abrindo-os, agir simbolizando seus atos, curar suas feridas falando sobre elas.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Humanos e Bactérias

Então funciona assim: todo mundo já nasce com um pacote de programas de fábrica sem necessidade de licenciamento. Esses programinhas permitem desempenhar funções basiconas, tipo: se alimentar, por meio do movimento instintivo de sucção quando os lábios entram em contato com algum objeto; se encolher para fugir do contato com objetos pontiagudos; se debater quando tem seus movimentos cerceados.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Olha, difícil mesmo é pensar sem linguagem. Tenta aí. Começa assim: pensa numa coisa. Pronto? Pensou? Tá bom, mas não se preocupa tanto. Pode ser qualquer coisa. Ok. Agora, vê se você consegue dissociar a coisa em si mesma que você pensou da palavra, isto é, distinguir a coisa propriamente dita sem dizê-la de alguma maneira. Foda, né? Digamos que você consiga, o que você vê? Uma (artigo indefinido) coisa. Mas a coisa que você pensou é melhor representada por esse exemplo particular não definido de coisa ou pela palavra? Quer dizer, ao visualizar uma coisa, qualquer que ela seja, não parece estar-se fazendo uma redução da (preposição+artigo definido) coisa? Ela não é mais do que a representação mental que visualizou? Será que nossa vida não é mais determinada pelas definições e conceitos que formulamos sobre ela do que pela realidade em si mesma?