quinta-feira, 29 de novembro de 2007


"Perde tudo e ainda toma um tapa na cara, amiguinhooo! Cada um com seus problemas!"

Palhaço Gozo, porta-voz da juventude, durante a brincadeira da Rolentrando

Jorro de Sabedoria

Gente, acima de tudo, querendo ou não, a gente tem que falar de gente, seres humanos. Somos todos especiais, cada um tem alguma coisa única pra contribuir pra uma sociedade melhor. Basta saber lapidar esse diamante bruto dentro de cada um de nós. Você quer ser parte do problema ou da solução? Pense nisso. Quem nunca errou que atire a primeira pedra... ou é “pecou”? Enfim, o que importa é a gente sempre ter cuidado pra não julgar o outro porque toda vez que tem um dedo apontando pro outro, têm três outros apontando pra você. É feio julgar. Feio, feio, feio. Trate os outros como quer ser tratado, não é mesmo? Ouvir sempre mais do que falar. Ah, a assertividade. Essa dádiva! Procuremos sempre sermos assertivos. Sem agressividade, sabendo expor nossas idéias com firmeza, com clareza sem machucar o outro. É isso que importa. Acima de tudo ser feliz. Devemos olhar pra frente. O passado já foi. Viver o presente é o que vale. O futuro a Deus pertence. Não sei nem se estarei aqui amanhã. Viver cada instante como se fosse o último. Carpe diem. Valorizar quem está do seu lado nas horas difíceis: esses são os verdadeiros amigos. Sobretudo, eu odeio a falsidade. Não acho que alguém possa conquistar alguma coisa nessa vida passando por cima dos outros, mentindo, sendo falso. Eu, pessoalmente, sou muito verdadeiro. Gosto de rir, de conversar com os amigos. Essas pessoas que só ficam falando mal dos outros me enojam. Não gosto. Acho que eu tenho que cuidar da minha vida, sabe? Ser feliz. Agradecer todo dia. Só peço saúde. O resto eu corro atrás. É isso o que eu tenho a dizer. Espero que todos tenham gostado. Desculpa se magoei alguém, não era essa minha intenção. Agradeço a atenção de todos. Boa noite. Vocês foram ótimos. Até amanhã nessa mesma bat-hora, nesse mesmo bat-canal. Huahuahua! ;)


Beijos miguxos.


Texto dedicado ao Paulo Coelho e às pessoas que chamam umas às outras por apelidos carinhosos

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Realidade Objetiva

"(...) devemos começar distinguindo as condições que uma proposição deve satisfazer para que possamos considerá-la como sendo sobre um objeto físico no mundo externo. Há duas condições relevantes a serem aqui satisfeitas:

(i) a determinação do que seja o objeto físico em bases conceituais,

(ii) a atribuição de existência ao objeto físico conceitualmente determinado.

(...) O que tenho em mente ao dizer

1. "Há uma garça no meu quintal"

pode ser fenomenalmente traduzido, de maneira que satisfaça as condições (i) e (ii), como:

2. Está sendo dada uma garantida possibilidade de que um percipiente qualquer, em certas circunstâncias (que envolvem a descrição do meu quintal, a especificação do momento do proferimento, etc.), tenha a experiência visual de partes de um multicomplexo de sensações do tipo garça em partes do multicomplexo de sensações do tipo meu quintal."

COSTA, Cláudio. Uma Introdução Contemporânea à Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2002. (pp. 148-149)

Logo, a minha morte poderia ser descrita em termos fenomenológicos como o fim da garantia de experienciabilidade a um percipiente qualquer de um multicomplexo de sensações do tipo eu.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007




a catarse
prima da apócope
hermana do êxtase
sobrinha da apóstase



imagem: Skrik (1893), Edward Munch.


Bom-dia

Senti uma dor no peito, hoje. Dor que provavelmente desejei muito. Há tempos questionava minha capacidade de me apaixonar. Me julgava um homeme frio, deficiente emocionalmente. Pronto, aí está a prova de que estou vivo: chorei por amor, aliás, chorei pela falta dele. Quando veio o impacto das palavras caladas e dos toques calculados, fiquei perplexo, sem reação, silencioso. Cheguei em casa pressentindo que uma tempestade se formava dentro de mim. Ainda assim dormi surpreendentemente bem, achei isso muito bom. Depois, acordei vazio. "E agora?". E agora, os primeiros sintomas de quem sofre por amor vieram. Olhei pra comida e nada me apeteceu, nem mesmo uma fruta. Tudo parecia excessivamente denso e pesado pra aquele momento. Logicamente, as pobres bananas e maçãs não tinham qualquer culpa. Eu é que estava com um sentimento inexplicavelmente verdadeiro. Dei bom-dia ao porteiro. Entrei no carro e escolhi cuidadosamente minha trilha sonora: 89,9 FM. Acho que era um bolero que tocava quando tive coragem de gritar. Gritei. Depois do grito, consegui respirar profundamente. Parecia que faziam séculos que não enchia meu pulmão com sua capacidade máxima, mas logo o ar escapou. Isso me entristeceu. É, isso mesmo. Como é que subitamente nos tornamos tão piegas? Antes de estacionar, ainda tive tempo de buzinar pra um maluco que manobrou imprudentemente. Mas o grande momento mesmo estava por vir. Entrei na minha sala de trabalho, repousei minha pasta sobre a mesa, olhei pro monitor do computador e me sentei. Primeiro vieram soluços, cada vez mais intensos e longos, depois o tremor dos lábios. A essa altura, meus olhos já estavam semi-cerrados e meu cenho decisivamente franzido. Gemi com cuidado pra não chamar atenção. Fui me entregando aos poucos, resistindo o quanto pude. Finalmente, me entreguei e, só então, vieram as lágrimas lavar meus olhos. Enquanto chorava, emitia alguns grunhidos que podem soar como um profundo lamento de auto-piedade, mas acho que era outra coisa. Talvez apenas fosse o desejo de desfrutar um pouco mais da catarse. Havia raiva. Raiva de mim por ter me deixado agredir, por não ter me defendido. Raiva dela por suas grosserias, pela inexistência de diálogo. "Uma pessoa pode escrever poesia tão linda, cartas de amor pra si mesmo tão autênticas a ponto de não precisar compartilhar seus sentimentos por meio de palavras?" "Não sei." "Vivi a fantasia de conhecer alguém." Logo, logo meus olhos pararam de lacrimejar. Não tive tempo de me olhar no espelho, mas suponho que meu rosto deve guardar marcas do choro, ao menos, é o pouco que posso deduzir do meu reflexo na tela do computador. Durante o dia que ainda está começando, devo transitar entre a auto-piedade e a alegre artificialidade. Em algum momento, voltará a quietude e a sensação de que o que eu vivi foi muito mais aquilo que registrei nessas palavras do que esse sofrimento pungente. Quando tiver perdido o rastro dessa dor.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007



ALELUIA!
Ministério da Religião deve sair ainda essa semana


Na noite desta terça-feira, após intensas negociações com a base aliada, o Presidente fechou um acordo histórico: será criado o ministério extraordinário da religião que ficará a cargo do PRL. Ainda não foi definido oficialmente o nome do titular da pasta, mas as especulações apontam pra dois fortes candidatos: Josimar e Mário. Nenhum dos dois políticos tem ligação histórica com movimentos religiosos, ainda que sejam ambos batizados pela Igreja Católica. Tampouco são atualmente filiados ao PRL. No entanto, segundo o Presidente, nada disso seria empecilho para uma possível nomeação, já que o processo de mudança de partido é simples e indolor e a pouca familiaridade com o tema pode ser até positiva pela isenção em matérias polêmicas. “Veja bem, eu mesmo já fui coroinha sem ter freqüentado sequer uma aula de catequese. E, dizia o padre Donato, fui o melhor coroinha que ele já teve” confessou o chefe de Estado. Para as lideranças religiosas, a criação de um ministério é pouco, mas já é um importante passo em direção ao estabelecimento de uma ordem espiritual superior, de acordo com os desígnios do Criador. “O laicismo é uma perspectiva ultrapassada. Vejam o exemplo de sucesso do Irã. É uma potência regional!” disse o presidente da CNBB.
isto não é um cachimbo. e ponto final.

Magritte foi um dos primeiros seres da espécie homo sapiens sapiens a se dar conta de que as aparências enganam. isto já no Anno da Graça do Nosso Senhor de 1928, o que para a espécie como um todo significou um considerável avanço. o pintor almejava, com tal revelação, provocar a inconformidade e a revolta dos indivíduos contra a manipulação da realidade e a condensação da massa popular dentro de um conceito de real que não condiz com o mundo à sua volta, e sim com os interesses das camadas dominantes e criadoras desta realidade.

curiosamente, Magritte não foi torturado e morto, nem pelos algozes da Santa Inquisição, nem por agentes de nenhum regime ditatorial/fascista. estudiosos acreditam que isto se deve porque a mensagem do pintor não foi de fato compreendida, à época. se a revolução psico-social almejada por Magritte não aconteceu, por outro lado sua vida não foi ameaçada, o que permitiu a ele a produção de mais outras tantas telas contestatórias.


imagem: La trahison des images (1928-29), René Magritte.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Rezo

Eu não acredito na existência de Deus. Apenas atribuo esse nome ao conjunto imaginário e intangível de fenômenos simultâneos e passados necessários para me manter vivo.
Por gostar de exisitr e ter a permanente sensação de ser a mesma pessoa continuamente existindo, ainda que desconheça a inexistência, acho justo reconhecer o trabalho do universo pra me preservar vivo.
Agradeço por ter terminações nervosas para sentir a dor e a amargura, o doce e o prazer.
Agradeço pelo contraste das dualidades.
Agradeço pelas faculdades mentais que me permitem desenvolver a idéia da unicidade da vida universal.
Agradeço pelas artimanhas da mente que me permitem ter convicções essenciais ao meu bem-estar ainda que não se sustentem diante de uma refutação rigorosa.
Agradeço pela fantasia de achar que é bom o que sou e possuo, mesmo ignorando tudo que seja alheio a mim.

Amém.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

salve o pendão da esperança!

sabemos que o mundo dá voltas, ainda mais depois da décima cerveja, e qualquer conversa de bar retorna invariavelmente ao tema já batido do efeito borboleta. no episódio de hoje, vamos relembrar a velha história de como os espirros de Auguste Comte, na França, acabaram se transformando numa bandeira nacional republicana no Brasil.

além de ter cunhado o termo “sociologia”, sem necessariamente recheá-lo, e ter sido um dos primeiros ocidentais a afirmar que “tudo é relativo”, Comte e os espirros da gripe espanhola que o levariam à morte deixaram no Novo Mundo uma marca indelével: seu Positivismo, desenhado às pressas em meio aos espasmos e ao suor frio e às alucinações da febre, gerou no Brasil nada menos que a Igreja Positivista, organização devotada a provar que esta terra onde se plantando tudo dá fazia vicejar os mais elevados ideais político-espirituais do Velho Mundo. a Igreja Positivista era antiescravista, antitabagista e antiimperialista.

vale ressaltar que naqueles tempos áureos do Império Tupinambá, a generosidade dos nativos era demonstrada com a realização de pomposos bailes aos visitantes estrangeiros. não poderia ser diferente quando da chegada ao porto do Rio da embarcação chilena Almirante Cochrane, carregada de marinheiros criollos sedentos por provar das delícias tropicais. por ordem do Imperador, foi preparada uma onerosa festa que entrou para a história como o Baile da Ilha Fiscal. a hospitalidade tupinambá foi derramada sobre os visitantes em forma de vinhos e iguarias finas, assim como as roupas íntimas de muitas das damas da Corte, encontradas no dia seguinte pelas mulatas que chegavam para a faxina.

é neste ponto da história que entra em cena nosso herói, Raimundo Teixeira Mendes, o escultor do oh lindo pendão da esperança. Teixeira Mendes era nada menos que pastor da Igreja Positivista, com um invejável networking entre os visionários militares que defendiam a derrubada do Império. totalmente quebrada pelo Baile da Ilha Fiscal, a monarquia não ofereceu resistência aos golpistas, e os libertadores proclamaram a República Federativa do Brasil, com um baile igualmente pomposo, embora sabiamente menos divulgado: o Baile do Morro da Providência, precursor dos bailes dos morros contemporâneos.

Teixeira Mendes foi encarregado do desenho da nova bandeira nacional, na qual depositou todo o seu conhecimento maçônico-positivista. seu desenho é quase o mesmo da bandeira atual, exceto por um detalhe: o logo original “Amor, Ordem e Progresso” foi reduzido para “Ordem e Progresso” por decisão do Pai da República, Marechal Deodoro da Fonseca, por achar que “de amor, o povo faceiro desta terra já se encontra suficientemente servido”.

e assim, meus amiguinhos, se encerra esta bela história. a flâmula alviverde de Teixeira Mendes segue incólume aos dias de hoje, enchendo de orgulho os filhos da Pátria Mãe Gentil que enchem o peito para louvar, neste 19 de novembro, sua prodigiosa obra.



Respiro

Num pedaço de terra vermelha,
Cansado, o vento chega,
“Ah, Brasília...”
Balbucia devagar
Pra movimentar a poeira,
resiste, insiste em soprar.
"Invadam o México imediatamente! Não quero um terrorista cucaracha respirando depois da gente entupir aquele país de merda com bombas tóxicas. Vermes... Condee, você não é mexicana, não é? Você percebe que é só uma brincadeira, certo? Ahhhh, viva a democraciaaaaa!!!!"


Presidente Bush, 3:23 am, 1 garrafa e meia de conhaque, Kelly's Irish Times Pub, 300 metros da Casa Branca

"Ouço bastante Pink Floyd pra me acalmar. Mas em dias de homília, só mesmo um Lexotan."

Papa CXVI

domingo, 18 de novembro de 2007

ville-lumière

Paris é a capital do amor. ah, o amor.... o amor está em tudo. em todos os lugares, em todos os corações. nas luzes, nos cafés, nos monumentos, nas ruas estreitas - ainda que sombrias, sempre aureamente coloridas por tons aquarelados. ó ventura. ó tentações. não por acaso, Paris é a cidade onde os grandes gênios das letras e artes amanheceram em amnésicos saraus e contraíram todas as doenças venéreas do mundo.

sábado, 17 de novembro de 2007

"Vou à Universidade pra exercitar minha intolerância".

Jabuticaba, ator do palco elizabetano de São João Del Rey (séc. XVII)

tira a calcinha sua piranha. agora!

o tapa estalou no rosto dela, que caiu rindo na cama, o corpo lascivo completamente solto. ela ria e passava suavemente as costas da mão no rosto quente e avermelhado.

não tiro não.... mmmmm não tiro.... não tiro!!

vagabunda!. outro tapa. ela se sentia realizada. ele dessa vez não teve paciência. puxou-a por uma das pernas como se puxa um bezerro dando trabalho pra nascer. ai! de outro puxão, a calcinha arrebentou e foi jogada pra longe. vem cá sua vagabunda. piranha! ela se debatia enquanto ele a apertava nos dois braços macios, deixando marcas, mordendo seu pescoço e lambendo suas orelhas como um animal. me larga! me largaaaaaa! ela gritava, primeiro com raiva, depois com mais raiva, rangendo os dentes e franzindo as sobrancelhas, depois da primeira mordida um grito mais furioso, depois da quarta ou quinta já um gemido rouco, de fêmea no cio, ronronando, rosnando, suas mãos também apertando os braços dele, que a pressionava contra o colchão.

vai continuar resistindo, né?
vou.... ela apenas sussurrava, cínica, aquele mesmo sorriso autoconfiante no canto dos lábios. vou.... mmm
vai continuar resistindo??!

vou!! ela gritou e olhou nos olhos dele, fingindo ódio, fingindo desobediência, implorando por um castigo, me castiga, vai, me castiga seu filho da puta. então resiste, sua cachorra. resiste vagabunda! eu vou te comer assim mesmo. vai, reclama, sua piranhinha.... sua puta!, um tapa em cheio no rosto dela, briga sua putinha, briga vagabunda!, ele aperta as pernas dela, outro tapa sonoro, ela com o rosto vermelho, toda descabelada, ainda se debatendo, resiste agora, sua língua roçando os mamilos rígidos, sua boca chupando mais forte os seios arrepiados, briga agora, outro tapa, ela respira mais fundo, o coração acelerado, solta os braços dele e segura mais forte no colchão, uma das mãos apertando a lateral do colchão, a outra agarrando firme o lençol amarrotado, e agora hein sua vadia.... hein sua piranha.... gostosa.... seu ventre se contraindo, isso, gostosa.... tesuda.... ela se debatendo cada vez menos, um peixinho caído do aquário, últimas convulsões de fôlego, respirando fundo, e ele estica os braços dela acima da cabeça, prendendo seus punhos, se apoiando nela ao mesmo tempo em que a penetra, e quando a penetra totalmente o suspiro súbito, o gemido seco; as pernas da fêmea tremem, ela se contrai repentina, involuntariamente, para logo se abrir: molhada, louca, abraçando com as pernas, um rio entre suas pernas, ah, insana, possuída, presa, com força, fisgada, empalada, aah, atrapada pelo macho, ela se entrega, num sussurro:

não me deixa fugir....

não me deixa fugir....



não me deixa.... fugir....